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Via Brasília Depois que Bolsonaro desmoralizou ‘teto de gastos’, Lula propõe nova regra para equilíbrio fiscal

Lula foi lacônico ao dizer que em seu governo não haverá teto de gastos (Arte: Isabelle Chaves)

BRASÍLIA – Economistas que trabalham diretamente no programa de governo da chapa Lula-Alckmin disseram que o pré-candidato, ao criticar o chamado teto de gastos – mecanismo que limita os gastos do governo para limitar o crescimento das despesas do governo, o fez manter se referindo à regra atual. Desmoralizado pelo governo de Jair Bolsonaro, quando decidiu abrir saco de bondades eleitorais, o teto de gastos foi furado inúmeras vezes, para desespero do mercado, que acreditava nas promessas de responsabilidade fiscal do ministro da Economia, Paulo Guedes. Lula foi lacônico ao dizer que em seu governo não haverá teto de gastos.

Ativos rentáveis e educação

Os técnicos da campanha petista trabalham na redação de um texto com os princípios para um novo arcabouço fiscal para o mecanismo. Uma opção é substituir o teto por uma regra de resultados, a exemplo do que existia na Lei de Responsabilidade Fiscal ao longo dos governos Lula. O desenho vai depender das “relações políticas, mas várias hipóteses estão sendo aventadas”. “Não serei irresponsável, mas gastaremos naquilo que é necessário em ativos rentáveis e educação, uma das coisas que dão o retorno mais rápido para que a gente possa produzir”, diz Lula.

Auditoria nas urnas parada

Apesar do anúncio feito na live da quinta-feira passada, 5, em tom de ameaça, de que o seu partido iria contratar uma empresa privada para auditar as urnas do TSE, até agora nem Bolsonaro, nem o presidente do PL, Waldemar Costa Netto, ou o comando da campanha apresentaram a empresa que deverá realizar o trabalho. Não há sinal de que a contratação da empresa privada e independente está em andamento. Diante do ineditismo da ideia, no Congresso, há quem acredite que tenha sido mais uma bravata de Bolsonaro para vacinar, de uma possível derrota nas urnas, e despistar o noticiário ruim para o governo.

Bolsonaro X STF

Por falar em noticiário ruim para Bolsonaro, a unificação dos inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF) que o investigam por disseminar fake news e vazamento de documento sigiloso, com a apuração que trata das milícias digitais, não traz qualquer prejuízo ao presidente. Até um pouco ao contrário, uma vez que a burocracia de unir os processos leva tempo, e tempo passado sempre ajuda os investigados. Além disso, o presidente não será denunciado enquanto Augusto Aras for o Procurador-Geral da República.

Pazuello candidato no Rio

O ex-ministro Eduardo Pazuello desistiu de se candidatar a cargo eletivo no Amazonas. Apesar de sua trágica condução da saúde, no auge da pandemia, Pazuello mira o Rio, onde instalou residência, e está empenhado na montagem da estratégia de um futuro político no Estado. O general da reserva não participará da elaboração do programa de governo da campanha à reeleição de Bolsonaro, mas fez algumas sugestões. Filiado ao PL, se prepara para disputar uma vaga para deputado federal. Ou poderá alçar voos mais altos: vice na chapa do governador Cláudio Castro, aliado de Bolsonaro.