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Cultura Em Brasília, artista amazonense ganha espaço para produzir grafite na Praça dos Três Poderes

Chermie Ferreira foi escolhida para produzir ilustrações em grafite sobre "Liberdade", na Praça dos Três Poderes, em Brasília (Crédito: Taby Taias)
Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS — A artista plástica e grafiteira amazonense Chermie Ferreira está entre os 11 brasileiros selecionados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do Instituto Justiça e Cidadania (IJC), para produzir ilustrações em grafite sobre “Liberdade”, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. A iniciativa foi promovida nessa terça-feira, 17, e faz parte do “Projeto Liberdades”, realizado em comemoração aos 200 anos da Independência do Brasil completados em setembro deste ano.

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A ação busca desenvolver e publicar cartilhas para estudantes do Ensino Médio das escolas brasileiras, com os grafites ilustrando o livro impresso e digital voltadas ao público infantojuvenil. A publicação tem previsão de lançamento para agosto deste ano, com o objetivo de distribuir gratuitamente o formato impresso nas escolas de todo o País. Além das ilustrações, textos de estudos e artigos de 11 ministros vão compor o documento.

À REVISTA CENARIUM, Chermie conta que a pintura feita por ela faz referência ao tema “Liberdade Econômica” e trata sobre a autonomia financeira e o empoderamento da mulher indígena que trabalha com a arte e busca, a partir disso, garantir o próprio sustento. Segundo a artista, a tela integra uma narrativa que vem sendo construída nas obras delas, em 2022, que traz uma reflexão de valorização do público feminino e da preservação do meio ambiente.

“Quero deixar essa reflexão sobre a valorização da cultura indígena e difundir mais sobre os povos originários e ribeirinhos. Em 2022, estou com uma narrativa fazendo mulheres mães, em uma reflexão sobre a natureza e a mulher que está neste lugar de cuidado, que acolhe seus filhos, seus netos, parentes, comunidades e que trabalham por conta dessas comunidades e familiares, assim também como a mãe natureza que nos acolhe e nos cuida. Da natureza retiramos o alimento e nossos remédios tradicionais e, nas minhas obras, trago essa valorização da mulher e da preservação”, destacou Chermie.

Tela de mulher indígena costurando peça de pano (Arquivo Pessoal/Reprodução)

Sob as cores azul, vermelho, amarelo e preto, o grafite feito por Chermie Ferreira, na Praça dos Três Poderes, mostra uma indígena com grafismo do povo Kokama e do povo Mura costurando uma peça de pano. Segundo a artista plástica, a obra representa as mulheres originárias, que vivem e sobrevivem do ateliê no Estado do Amazonas.

Liberdade

O “Projeto Liberdade” faz parte do Programa de Combate à Desinformação, criado para desmentir fake news sobre o STJ. Os 11 artistas foram selecionados por Rafael Araújo dos Santos, fundador da Escola Carioca de Grafitti e do Museu de Grafitti do Rio de Janeiro.

Chermie Ferreira apresentando a obra para o ministro da STF Alexandre Barroso (Arquivo Pessoal)

Além de liberdade econômica, os artistas elaboraram grafites sobre liberdade do trabalhador, sindical e associativa; liberdade de ir e vir; liberdades públicas, o Estado Democrático (e suas limitações); liberdade de imprensa; de expressão; sexual; de voto; eleitoral; empresarial; e religiosa. As temáticas foram sorteadas para cada um dos 11 artistas.

Grafite urbano

Natural de Manaus, Chermie Ferreira ou Wira Tini – nome Kokama que significa Pássaro Branco – tem 34 anos e trabalha com o grafite desde os 16 anos, com trabalhos na capital amazonense e em São Paulo, onde vem construindo carreira sólida na arte urbana nacional. 

Além de artista plástica e grafiteira, a manauara é produtora cultural, ilustradora, tatuadora, militante e organizadora de eventos pelo País e pelo exterior sobre a valorização do grafite.

Grafite da artista Chermie Ferreira feita em muro (Arquivo Pessoal/Reprodução)

As obras da artista tratam sobre valores da mulher nortista e a luta pela visibilidade das populações tradicionais. À CENARIUM, Chermie lembra que se viu como artista quando se reconheceu como indígena Kokama, povo que se inspira nas criações das pinturas dela.

“As minhas inspirações são todos os povos do Amazonas, a cultura e os costumes locais, por conta de eu pertencer a este lugar. Quando estou fazendo uma obra, estou falando sobre mim, os meus antepassados e o povo nortista”, frisou.