Menu

Economia ESPECIAL | Zona Franca de Manaus: Matrizes complementares

Linha de montagem de motos na fábrica da Honda no distrito industrial da Zona Franca Manaus - (Lalo de Almeida/Folhapress)
Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – Os constantes ataques sofridos pela Zona Franca de Manaus (ZFM) em relação à isenção de impostos trouxeram novamente à tona discussões sobre alternativas para a economia do Amazonas, hoje dependente de fábricas de empresas atraídas pelos incentivos fiscais. Para economistas e gestores de órgãos estaduais estratégicos, as chamadas matrizes econômicas complementares passam pelo fortalecimento do turismo e pelo incremento de setores, como a cultura e a produção rural. 

De acordo com a economista e consultora de empresas Denise Kassama, “o termo matriz advém do fato de que dela devem desencadear vetores que são as ações de política econômica. Atualmente, utiliza-se esse termo para tratar de segmentos da economia em prol do desenvolvimento. Novas matrizes são atividades complementares aos moldes fabris atuais”. 

Denise ressalta que, ainda que haja uma dependência em relação à Zona Franca de Manaus, é possível fortalecer a economia do Amazonas sem, necessariamente, buscar uma substituição, opção considerada por alguns que acreditam que o modelo atual está fadado ao fracasso. “A preocupação é desenvolver outras matrizes econômicas que reduzam a dependência”, sugere.

Para a economista, qualquer que seja a iniciativa de desenvolvimento econômico, seja no âmbito da bioeconomia, produção de alimentos, comércio de carbono, ou utilização de recursos ambientais, há a necessidade de investimentos em infraestrutura, logística e capacitação de mão de obra. 

Denise afirma que aposta na potência do setor turístico: “Creio que o turismo, sem dúvida, é uma das principais possibilidades. Tarefa nada fácil para os futuros governantes”, afirma Denise. 

Potencial turístico

Segundo a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), o turismo, de fato, compõe a lista das alternativas que reforçam a potência econômica do Estado e há ações sendo desenvolvidas de forma constante para a promoção do fortalecimento do setor.

Dentre as atividades destacadas pela Amazonastur estão a capacitação do trade local para o desenvolvimento econômico e social dos municípios em parceria com o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam). Em maio, por exemplo, foi lançado o projeto Workshop “Bem Receber”, com a qualificação de prestadores de serviços turísticos para a melhoria no atendimento ao turista durante os grandes eventos do Estado, iniciando por Parintins, município onde é realizado o Festival Folclórico.

Atrativos turísticos, como o Encontro das Águas, são uma possibilidade de matriz econômica complementar à ZFM

A participação em feiras para estabelecer conexões, fomentar e fortalecer o atrativo turístico em âmbito nacional também é uma alternativa mencionada pela Amazonastur, além da expansão do projeto “Turismo em Movimento”, cujo foco é alcançar operadores de turismo do interior do Estado para também fomentar o ordenamento do setor turístico. 

Cultura 

Aliado do turismo, o setor cultural também é um vetor fundamental de geração de emprego e renda. Os empreendimentos criativos e culturais fortalecem o interesse sobre as localidades que desejam ser visitadas pelo público. De acordo com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC), municípios como Novo Airão, por exemplo, caminham para este rumo.

“Lá existem pousadas, ateliês artísticos de confecção de biojoias, marchetaria, artesanatos variados e já há um desenvolvimento de atrativos turísticos no local. Outros municípios também contam com esse perfil criativo”, informou a secretaria, por meio de nota.

Uma produção rural fortalecida também pode gerar alternativas para a economia do Amazonas (Divulgação)

O lançamento de editais compõe a lista de alternativas encontradas pela secretaria para complementar e movimentar a economia local e suprir as necessidades de um dos setores mais impactados, inclusive, pela pandemia. 

Segundo a SEC, 292 contemplados nos editais da secretaria receberam recursos para realizar projetos, na capital e no interior. Em 2021, ao todo, foram registrados 26.730 trabalhadores criativos, no Amazonas, conforme dados do Itaú Cultural.

Produção rural

Na busca para criar estratégias e ações que diversifiquem os moldes econômicos atuais da região, a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), junto ao Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), a Agência de Defesa Agropecuária e Florestal (Adaf) e a Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), informa que foca em ações que garantem o desenvolvimento sustentável do Estado. 

Conforme dados disponibilizados pela Sepror, o “Programa Agro Amazonas” priorizou 22 cadeias produtivas, de acordo com a vocação, tradição e potencial produtivo de cada município, dentre elas: abacaxi; açaí; agroecologia; avicultura; banana; borracha natural; café; castanha-do-brasil; cupuaçu; citros; fibras, juta e malva; guaraná; madeira manejada; mandioca; milho e feijão; óleos vegetais; soja; pecuária de corte e leite; pesca; piaçava; e piscicultura.

Segundo a pasta, as ações voltadas ao setor incluem a regularização fundiária e ambiental, crédito rural, assistência técnica e capacitação de produtores rurais, além de apoio à comercialização e investimentos em infraestrutura, como a recuperação de ramais e vicinais, por meio do Programa S.O.S Vicinais.

A Sepror ressalta, ainda, a criação do Plano Safra Bianual, voltado para o crescimento sustentável do agronegócio amazonense, com R$ 1 bilhão de recursos públicos para a promoção sustentável de alimentos. Dentre as frentes do Plano Safra estão as Políticas Agropecuárias, Assistência Técnica e Extensão Rural, Defesa Agropecuária e Florestal, Crédito, por meio da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) e compra pública da agricultura familiar.

Esta reportagem foi publicada, simultaneamente, na REVISTA CENARIUM digital/impressa, edição de julho de 2022. Para acessá-la na íntegra, clique aqui.

Capa da Revista Cenarium de Julho/2022