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Cultura Há 40 anos, Brasil ouve barulho ensurdecedor da falta que faz Elis

Mosaico mostra várias faces da artista. (Caratine Hak/ Cenarium)

Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium

MANAUS – Foi no dia 17 de março de 1945, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, que nasceu a pequena “Pimentinha”, como era conhecida aquela que, anos depois, vinha a ser uma das maiores cantoras do Brasil. Elis Regina de Carvalho Costa começou a carreira muito nova. Mesmo após desastrosa tentativa de cantar no programa “Clube do Guri”, na Rádio Farroupilha, quando Elis tinha 7 anos, a força de vontade em se tornar artista foi maior e, numa segunda tentativa, o “helicóptero Elis” levantou voo e não parou mais. Hoje, após 40 anos de sua partida prematura aos 36 anos, saiba mais sobre a vida e obra dessa artista.

Desde muito nova, a gaúcha sabia o que queria. Antes de estourar com “Arrastão”, “Como Nossos Pais”, “Madalena” e “O Bêbado e a Equilibrista”, por exemplo, a jovem cantora precisou enfrentar algumas barreiras, principalmente por conta da sua timidez.

Influenciada pela cantora Ângela Maria, que despontava o mundo com sua voz, Elis pediu para que o pai a levasse até o Rio de Janeiro, aos 16 anos, onde lançou seu primeiro disco, “Viva a Brotolândia”. Assinou contrato com a TV Rio, para se apresentar no programa “Noite de Gala”, sob a direção de Luís Carlos Miele e Ronaldo Bôscoli. Também se apresentava no “Beco das Garrafas”, reduto da Bossa-Nova.

A cada nova apresentação, Elis ganhava mais notoriedade e espaço. Além disto, ela também cantava pelas minorias, o que levou-a ser investigada pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) na década de 1970, período em que o País vivia sob medo e ameaça da ditadura militar.

Em 1965, uma apresentação mudou de vez sua carreira. Ao estrear no festival da Record com a música “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, Elis lançou moda e presença de palco com os movimentos dos braços que se tornaram sua marca registrada.

‘Viver é melhor que sonhar…’

“Não quero lhe falar meu grande amor. Das coisas que aprendi nos discos. Quero lhe contar como eu vivi. E tudo o que aconteceu comigo. Viver é melhor que sonhar. Eu sei que o amor é uma coisa boa. Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa. Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina”.

Como nossos pais – Disco Falso Brilhante, 1976

O trecho é da música “Como nossos pais”, lançado em 1976, no disco “Falso Brilhante”. Entre as canções reunidas nesta obra, destacam-se ainda “Tatuagem”, “Fascinação” e “Velha Roupa Colorida”. O álbum está entre a lista dos 100 maiores discos da música brasileira segundo a revista Rolling Stones. Segundo o Jornal do Brasil, o álbum vendeu cerca de 182 mil cópias no Brasil, até 23 de março de 1980, sendo o disco mais vendido da carreira da cantora.

Em sua carreira, várias foram as contribuições para a MPB. Viva a Brotolândia (1961)  • Poema de Amor (1962)  • Ellis Regina (1963)  • O Bem do Amor (1963)  • Samba – Eu Canto Assim (1965)  • Elis (1966)  • Elis – Como e Porque (1969)  • Aquarela do Brasil – com Toots Thielemans (1969)  • Em Pleno Verão (1970)  • Ela (1971)  • Elis (1972)  • Elis (1973)  • Elis & Tom (1974)  • Elis (1974)  • Falso Brilhante (1976)  • Elis (1977)  • Essa Mulher (1979)  • Saudade do Brasil (1980)  • Elis (1980).

Ainda gravou ao vivo Dois na Bossa (1965)  • O Fino do Fino (1965)  • Dois na Bossa nº 2 (1966)  • Dois na Bossa nº 3 (1967)  • Elis no Teatro da Praia (1970)  • Transversal do Tempo (1978)  • Elis Regina – Montreux Jazz Festival (1982)  • Trem Azul (1982)  • Luz das Estrelas (1984).

Elis não só cantava o amor, como vivia ele. Entre alguns relacionamentos, teve uma conturbada história ao lado do produtor musical Ronaldo Bôscoli, conhecido por ser mulherengo e ter namorado, além de Elis, Nara Leão, Maysa Matarazzo e outras artistas. Elis teve um filho com ele, chamado Marcelo Bôscoli. Após descobrir dezenas de traições, o relacionamento não deu certo. Anos depois, se casou com o pianista César Camargo Mariano com quem deu à luz Maria Rita e Pedro Mariano.

A memória do filho João Marcello e o perfil da sua mamãe Elis Regina -  Prisma - R7 Silvio Lancellotti
Elis ao lado dos três filhos. (Divulgação)

A artista morreu em 19 de janeiro de 1982. Ela foi encontrada em seu apartamento, em São Paulo. Na época, sua morte foi envolvida em uma série de controvérsias, mas exames comprovaram que o consumo de cocaína associado à bebida alcoólica provocou uma parada cardíaca.

Elis por Elis

Elis vive

Em 2006, a Rede Globo lançou um especial sobre a vida da artista. “Por Toda Minha Vida: Elis Regina” foi ao ar em 26 de dezembro. Com depoimentos de amigos da cantora como Jair Rodrigues, Gilberto Gil e Nelson Mota, o documentário reúne imagens reais de apresentações de Elis e passa por locais que ela transitou quando criança e fez apresentações marcantes.

Mas a história de vida da cantora não para por aí. Em 2015, sob a direção de Hugo Prata, a atriz Andrea Horta se consagrou cantando Elis e dando vida à artista gaúcha, impressionando pela semelhança.

Filme Elis | Telecine
Andreia Horta interpreta Elis no cinema. (Divulgação)