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Esportes ‘Meu foco é Paris 2024’, diz atleta indígena do AM após se classificar para ‘Mundial de Tiro com Arco’ na França e Colômbia

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS — “Meu foco é Paris 2024”. Assim o atleta indígena amazonense de tiro com arco Gustavo Paulino dos Santos, de 25 anos, respondeu sobre qual era o sonho dele como atleta. O jovem se classificou para as etapas do Mundial de Tiro com Arco, na França e Colômbia, competições que ajudam na pontuação dos participantes rumo ao acesso às Olimpíadas de 2024, em Paris.

À REVISTA CENARIUM, o amazonense lembrou do “quase acesso” para Tóquio 2020, quando ele ficou em 4º lugar na classificação-geral da Seleção Brasileira de Tiro com Arco. Estar entre os três primeiros, afirma Gustavo Santos, é uma das primeiras metas dele para este ano.

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“É um passo muito importante, porque em 2021, fiquei em 4º lugar em quatro seletivas. Inclusive, para Tóquio 2020, fiquei em 4º lugar na classificação geral brasileira. E uma das primeiras metas deste ano era conseguir ultrapassar isso, estar entre os três melhores e conseguir aumentar mais a confiança, intensificar mais os trabalhos, manter e continuar evoluindo”, lembrou o jovem.

Gustavo garantiu o segundo lugar em seletiva da modalidade esportiva, conquistando vaga pela Seleção Brasileira (Divulgação)

Natural da comunidade Nova Kuanã, às margens do Rio Cuieiras, no interior do Amazonas, o atleta garantiu o segundo lugar em seletiva da modalidade esportiva, conquistando vaga pela Seleção Brasileira e a participação em três etapas internacionais neste ano. No começo de maio deste ano, Santos também teve sua primeira participação em uma Copa do Mundo, na fase em Kwangju, na Coreia do Sul.

“A participação no Mundial da Coreia foi uma experiência motivadora, porque foi o meu primeiro. Eu tive um bom desempenho, tanto no individual quanto por equipe, a nível nacional. E realmente foi um aprendizado para saber como está o nível mundial e saber trabalhar em cima disso para ir às próximas etapas, que ainda tenho duas para ir este ano”, frisou Santos.

Atleta desde 2013

A história de Gustavo Santos com o tiro com arco começou em 2013, quando o atleta começou a praticar a modalidade por meio do Projeto Arquearia Indígena, desenvolvido desde aquele ano pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com a Federação Amazonense de Tiro com Arco (Fatarco) e o Governo do Amazonas.

A iniciativa, financiada pelo Grupo Bemol, tem apoio da Confederação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Coipam), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), da Fundação Estadual do Índio e do Ministério da Cidadania, por meio da Lei do Incentivo ao Esporte. Para Gustavo Santos, que rememora a luta para continuar no esporte, a caminhada é longa e trouxe importantes conquistas para ele.

“Eu tinha 16 anos quando iniciou toda essa trajetória. Já é um trabalho bem longo. Passei por diversas dificuldades dentro do esporte para subir ao nível nacional e poder disputar uma competição. Hoje, estou há nove anos praticando a modalidade para poder estar no nível que estou. O esporte me possibilitou muitas conquistas, pessoais e profissionais”, destacou o atleta.

Entre as conquistas de Santos, está a graduação em Educação Física, além de poder viajar para outros países e conhecer novas culturas e línguas. “O esporte me possibilitou sair da zona de conforto onde eu estava. Por meio do esporte, eu consegui estudar, me formar em Educação Física, conheci vários outros lugares e me ajudou. Hoje, sou uma pessoa totalmente diferente do que eu era nove anos atrás”, salientou Gustavo Santos.

Com o mesmo foco de qualquer outro atleta, Santos sonha entrar em uma Olimpíadas como participante. Enquanto a meta não é concretizada, o amazonense reforça que o objetivo dele está voltado para continuar se classificando para as competições internacionais e ganhar mais experiência.

“Estou trabalhando em cima disso, visando 2024. Todo esse tempo de treinando que venho tendo é visando isto. Meu foco principal é estar dentro de uma Olimpíadas e entre os melhores do Brasil e, futuramente, do mundo. Levo muito a sério, estou me dedicando diariamente e correndo atrás das metas que tenho que alcançar. Meu foco final é Paris 2024. Mas, por enquanto, é viver um dia de cada vez e continuar treinando”, concluiu.