Menu

+Ciência No Pará, Embrapa desenvolve ‘kit de clones’ do cupuaçu para melhorar produção e qualidade da fruta

O 'kit Cupuaçu 5.0' foi apresentado na quarta-feira, 27, a empresários e autoridades, no Pará (crédito: Ronaldo Rosa)
Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental, com sede no Pará, desenvolveram um ‘kit de clones’ do cupuaçu para melhorar a produção e a qualidade da fruta típica da Região Amazônica. A iniciativa, chamada ‘Kit Cupuaçu 5.0’, foi apresentada, nacionalmente, na quarta-feira, 27, como parte da comemoração ao aniversário de 49 anos da empresa, mas será lançada aos produtores somente em 5 de maio deste ano, na série de debates online “Cupuaçu: desafios e oportunidades”, no canal da Embrapa, no Youtube.

“A principal característica do ‘Kit Cupuaçu 5.0’, sem dúvidas, é a alta produtividade de frutos. São clones que produzem boa quantidade de frutos e frutos grandes, muitos por árvore e safra. Em segundo lugar, está a boa resistência que eles apresentam à vassoura-de-bruxa, que é o principal flagelo/doença que ataca o cupuaçuzeiro”, explicou o pesquisador Rafael Moyses Alves, melhorista da empresa.

O ‘Kit Cupuaçu 5.0’ foi apresentado na quarta-feira, 27, a empresários e autoridades, no Pará (crédito: Ronaldo Rosa)

Segundo o pesquisador, o kit é composto por cinco clones de cinco espécies de cupuaçu, são eles: o BRS Careca, BRS Fartura, BRS Duquesa, BRS, Coringa e o BRS Golias. Alves explica que os clones devem ser plantados juntos para que haja o processo de polinização e produção de frutos. Além disso, o uso do pacote permite extensão do período de safra de quatro para seis meses.

Veja também: Pirarucu de casaca, creme de cupuaçu e tacacá são os pratos favoritos durante as comemorações de fim de ano no AM

O melhorista da Embrapa Amazônia Oriental salienta que a propagação dos cinco clones que compõem o kit é feito por meio de enxertia e não por sementes. Ou seja, há a necessidade de produção da muda (ou porta enxerto) para realização da técnica, que consiste na união de espécies diferentes.

Após esse processo, a muda é levada para o campo. “Por meio da enxertia, temos a garantia de que o material que está sendo propagado ali é exatamente e geneticamente igual ao da planta matriz original”, reforçou o pesquisador Rafael Alves.

O kit

A iniciativa é resultado de uma pesquisa que levou 10 anos. O estudo reuniu dados fenológicos, produtivos e sanitários de 16 clones que levaram à seleção das cinco melhores variações para compor o ‘Kit Cupuaçu 5.0’.

Além de apresentar boa resistência ao fungo causador da vassoura-de-bruxa, o ‘Kit Cupuaçu 5.0’ apresenta bom rendimento de polpa e amêndoas. A Embrapa destaca que o aumento do período de colheita também alivia pressão sobre a agroindústria de processamento da fruta, sobrecarregada de trabalho na safra convencional.

A iniciativa é resultado de uma pesquisa que levou 10 anos (crédito: Ronaldo Rosa)

Para a empresa, o conjunto de clones chega como um reforço tecnológico para o posicionamento de uma fruta com mercado em franca expansão nacional e internacional. Além disso, a Embrapa destaca que o cupuaçu tem potencial para se tornar um importante ativo de bioeconomia e desenvolvimento local, a partir da criação de novos produtos ou como insumos de alto valor agregado.

De acordo com a comparação feita pela empresa, em relação às demais espécies, o Cupuaçu 5.0 produz até 14 toneladas de frutos por hectare, enquanto que o clone BRS Carimbó, lançado em 2012, chega à média de 8 toneladas. Segundo levantamento realizado da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap, em 2018), o número é bem acima da marca de 2,5 toneladas das demais espécies comuns do Pará.