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Economia ‘Nossa economia depende desse modelo’, diz Corecon-AM após decreto de Bolsonaro atacar Zona Franca de Manaus

O presidente Jair Bolsonaro (PL) e o Polo Industrial de Manaus (PIM) ao fundo (Mateus Moura/Agência Amazônia)
Bruno Pacheco – Da Agência Amazônia

MANAUS – O presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), o economista Marcus Evangelista, disse nesta terça-feira, 2, que o novo decreto do Governo Bolsonaro que zera as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os concentrados em todo o País, afetando a Zona Franca de Manaus (ZFM), gera grande preocupação na região, pois a economia do Estado depende do modelo do Polo Industrial de Manaus (PIM).

“Nós somos terminantemente contra qualquer ato que venha a atingir uma fábrica, sequer, aqui do modelo Zona Franca de Manaus. Dessa vez, temos a exclusão parcial dos produtos que são fabricados aqui e isso nos traz uma preocupação muito grande, uma vez que seguimentos vão ser afetados e, logicamente, teremos desemprego”, declarou Evangelista.

“Lutamos em defesa do modelo ZFM, afinal de contas, nossa economia depende desse modelo e temos que defender”

MARCUS EVANGELISTA, ECONOMISTA E PRESIDENTE DO CORECON-AM.
Marcus Evangelista, economista e presidente do Corecon-AM (Divulgação)

À AGÊNCIA AMAZÔNIA, Evangelista afirmou que o Corecon-AM, por meio dos seus conselheiros, continua com o mesmo posicionamento desde o primeiro decreto relacionado ao IPI e reforçou, contudo, que os economistas do órgão não são contra a redução tributária, mas não são a favor de atos que possam causar desempregos no modelo ZFM.

“Todo mundo quer pagar menos impostos, mas nós somos contrários a atos que venham causar desempregos no modelo Zona Franca de Manaus, porque uma fábrica, por exemplo, de ar-condicionado, caso venha a desistir de se manter aqui porque não tem mais competitividade, simplesmente teremos dezenas de desemprego causadas por uma canetada no decreto”, exemplificou Evangelista.

Papel de conservação

Um modelo responsável por 48,71% da arrecadação federal da 2ª Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, em 2021, o equivalente a mais de R$ 15 bilhões à União, a ZFM mantém preservado 98% da floresta Amazônica no Estado, segundo dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Além disso, para o economista Marcus Evangelista, o polo industrial cumpre um importante papel social.

“O modelo ZFM cumpre seu papel para o qual foi criado, que é levar o desenvolvimento para áreas isoladas. Se pensarmos geograficamente, somos isolados do resto do País e são graças às fábricas que funcionam em Manaus que nós temos esses desenvolvimento que temos hoje e ataques desses [de Bolsonaro] não levam isso consideração”, comentou o economista.

A partir do momento que haja falta de emprego na Amazônia por conta da saída de empresas do PIM, alerta Evangelista, a população vai procurar outros meios de subsistência por meio da floresta, podendo gerar a destruição em massa da fauna e flora.

“Vamos ter uma destruição em massa, espécies de peixes sendo extinta por causa da pesca predatória e temos que levar isso em consideração. Afinal de contas, ainda somos o ‘pulmão do mundo’, temos uma reserva em pé e temos que preservar isso”, salientou Marcus Evangelista.

O Estado mantém 93% do seu território absolutamente intocado, preservando uma vasta região formada por unidades de conservação, terras indígenas e florestas públicas primárias, ficando atrás apenas do Estado do Amapá nesse quesito (considerando os Estados que formam a Região Norte).

Decreto de Bolsonaro

O novo decreto de Bolsonaro em ataque à Zona Franca de Manaus foi baixado durante a madrugada de sábado, 30, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Na publicação, o governo federal reduz em 35% o Imposto Sobre Produtos (IPI) de concentrados e retira itens produzidos na ZFM da correção. Para especialistas, a medida representou uma manobra para barrar as já existentes ações no Supremo Tribunal Federal (STF) contra outros decretos já revogados pelo ministro Alexandre de Moraes. 

Nessa segunda-feira, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), chamou a atitude do governo federal de “burra” e disse que o presidente Bolsonaro “está maltratando” a população e tirando empregos da cidade.

Veja também: ‘Não posso concordar com um governo de burros’, diz prefeito de Manaus após decreto de Bolsonaro que ataca ZFM

“Eu não posso concordar com um governo de burros. Essa é a realidade. Eu queria poder estar elogiando o Governo Bolsonaro, queria estar pedindo votos para Bolsonaro, queria estar dizendo que ele está ajudando a cidade de Manaus, mas ele está maltratando a gente, está tirando emprego”, declarou David Almeida, durante o lançamento do programa ‘Manaus Esportiva’, em Manaus.