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Central da Política ‘Toda a diretoria da Univaja está marcada com a marca de Bruno e Dom’, diz, no Senado, coordenador da organização

Eliésio Morumbo (Foto: Pedro França/Agência Senado)
Marcela Leiros – Da Agência Amazônia

BRASÍLIA — A Comissão Temporária instalada no Senado para acompanhar a investigação sobre o aumento da violência na Amazônia e os assassinatos de Dominic Mark Phillip, conhecido com “Dom Phillips”, e o servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai) Bruno da Cunha Araújo Pereira ouviu representantes da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Fundação Nacional do Índio (Funai) e dos Indigenistas Associados (INA), nesta quarta-feira, 22.

As principais questões pontuadas foram a falta de respostas eficientes dos órgãos de segurança às inúmeras denúncias feitas pela organização indígena e o desmonte de órgãos de fiscalização na região do Vale do Javari, no Amazonas. O assessor jurídico da Univaja – com quem Bruno Araújo trabalhava diretamente -, Eliésio Marubo, clamou por proteção mais efetiva contra as ameaças sofridas por ele, outros membros da diretoria da organização e até mesmo a equipe de vigilância que atua na região.

Univaja no alvo

“Dias antes [da morte do indigenista], em uma reunião com a Procuradoria da República, na região de Tabatinga, eu disse que estávamos, literalmente, no alvo do crime organizado na região, e que nós vamos ficar aqui defendendo nosso povo até o último índio. Olhei para o Bruno e ele falou a mesma coisa, sempre colocando como ponto central a ineficiência da Funai. Que País é esse que nós estamos vivendo? Quantos mais Brunos e Doms têm que morrer? Toda a diretoria da Univaja está marcada com a marca de Bruno e Dom”, disse ele.

Eliésio lembrou, ainda, que Bruno contou que sofreu perseguição institucional dentro da Funai, até ser exonerado do cargo de coordenador-geral dos povos isolados, em 2019.

“Ele mencionava ser muito perseguido dentro da Funai, pela alta cúpula, pelo trabalho que ele vinha fazendo no Vale do Javari. Não deu detalhes sobre como era feita essa perseguição. Em algumas coisas, não chegava a entrar na pormenoridade, mas enumera muito bem essa questão do hierárquico superior pelo trabalho que ele fazia”, acrescentou Marubo.

Funai sem respostas

O coordenador-geral dos Índios Isolados e de Recente Contato da Funai, cargo anteriormente ocupado por Bruno Araújo, Geovanio Oitaia Pantoja, representando a instituição, foi questionado sobre quantas ações foram feitas na região do Vale do Javari referente às denúncias da Univaja.

Sem responder detalhadamente à quantidade das ações, Pantoja apenas afirmou que houve 26 expedições de monitoramentos de indígenas isolados no Vale do Javari, entre 2016 e 2019, e um investimento de mais de R$ 10 milhões na região nos últimos três anos. “Tiveram várias ações da Funai, com a PM e apoio da Força Nacional. Desde 2019, a Força Nacional está na região”, disse ele.

Desmonte

Eliésio Marubo explanou ainda que das três bases da Funai na região apenas uma está em funcionamento, mas sem a presença de servidores da fundação e sim com voluntários indígenas. Não há bases ativas do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) ou do ICMbio.

O presidente dos Indigenistas Associados (INA), Fernando Viana, reiterou que a Funai passa por um desmonte. “Ele [Bruno Araújo] talvez tenha sido a pessoa que percebeu mais rapidamente o que vem acontecendo hoje na Funai, uma missão absolutamente contrária. A atual gestão da Funai vem se mostrando comprometida não com os direitos indígenas, mas com os interesses econômicos e dos setores que disputam a posse da terra com os indígenas, que querem se apossar dos recursos naturais”, concluiu.