Menu

Cultura Violência contra crianças e adolescentes é retratada em exposição artística; projeto traz obras visuais de artistas amazonenses

'Criança só quer ser criança', do artista visual, Adonay. (Arquivo pessoal/Divulgação)
Eliziane Paiva — Da Agência Amazônia

MANAUS — A exposição “365 dias de proteção: um olhar para os direitos infantojuvenis e suas violações” faz parte da campanha de conscientização contra o abuso e a exploração de crianças e adolescentes, realizada no âmbito do projeto ‘Resposta à Covid-19 no Brasil’, trazendo artistas amazonenses convidados a ilustrar, utilizando a técnica de grafismo, obras visuais com os direitos e os impactos das violências causadas na vida de crianças e adolescentes.

Em 2022, de acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) – disponível à sociedade no site da entidade -, apenas no primeiro trimestre, mais de mil crianças e adolescentes com idades de 0 a 17 anos foram vítimas de algum tipo de crime na capital e no interior do Estado, isso representa, se comparado a igual período de 2021, um aumento de, aproximadamente, 30% nas incidências de crimes infantojuvenis.

Exposição “365 dias de proteção: um olhar para os direitos infantojuvenis e suas violações”.(Divulgação)

Para a gerente de projeto que trabalha em prol da garantia de direito de meninas e meninos e de famílias em situação de vulnerabilidade, o objetivo de realizar uma exposição é criar um movimento de engajamento e um despertar para o tema, por meio da linguagem artística. “Proteção é um tema necessário, mas desafiador. Utilizar expressões artísticas e lúdicas é uma maneira poderosa de trazer o olhar para essa questão”, declarou Daiane Lacerda, da ONG Visão Mundial. 

A mostra “365 dias de proteção: um olhar para os direitos infantojuvenis e suas violações”, que visa chamar a atenção para as violências contra crianças e adolescentes, pode ser apreciada no complexo turístico da Ponta Negra, Zona Oeste, nos dias 22 e 26 de junho, das 16h às 21h, e domingo, das 6h às 18h. E no Largo de São Sebastião, Zona Centro-Sul, em frente ao Teatro Amazonas, nos dias 23 a 25 de junho, das 9h às 16h.

As composições são assinadas por André Hulk, Chermie Ferreira, Deborah Erê, Emerson, Gnos, Kina, Mia Montreal, Mr. Adonay, Thaizis Benlolo e Teonda, todos com trabalhos consolidados no Amazonas e fora do Estado. E durante a exposição, a equipe responsável pelo projeto pretende distribuir materiais educativos para o público presente.

Crianças e maus-tratos

Artista plástico amazonense que tem como seguimento a arte urbana, Adonay, 37, como prefere ser chamado (ou @mr_adonay na rede social Instagram), retrata em suas obras as crianças vítimas de maus-tratos e teve como fonte de inspiração para concepção da mostra fotos ilustrativas da filha de 8 anos que foi, também, modelo de muitos dos seus projetos.

Para o artista, o retrato da realidade envolvendo crianças e adolescente em uma exposição à sociedade “é importantíssimo para chamar atenção da sociedade para uma conscientização e debate sobre o assunto, usar a arte (pintura) como uma das ferramentas de comunicação, é essencial”, ressaltou.

Adonay, artista plástico amazonense. (Arquivo pessoal)

Adonay, que sempre foi adepto de artes com ideias mais orgânicas, traz, em suas obras que estão disponíveis na exposição artística, a criança privada de liberdade, em contrapartida, a inocência dos pequenos. “Nas duas concepções, passam uma ideia de inocência, da criança brincando de fazer bolhas e, por outro lado, tem outra criança que não expressa liberdade; colocando essas duas crianças uma feliz e outra presa”, relatou. Adonay destacou, ainda, que a frase ‘Criança só quer ser criança’ foi uma inspiração da campanha ‘Maio Laranja’, mês de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual infantil no Brasil.

Obra do artista plástico Adonay apresentado na exposição. (Adonay/arquivo pessoal)

‘Lei Henry Borel’

Para relembrar, no mês de maio, o presidente Jair Bolsonaro sancionou o projeto de lei que amplia medidas protetivas para crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica ou familiar. A norma também passa a considerar crime hediondo o assassinato de menores de 14 anos, com pena de reclusão de 12 a 30 anos.

A proposta foi batizada de Lei Henry Borel, em homenagem ao menino de 4 anos espancado e morto em março de 2021. Os acusados do crime são a mãe de Henry, Monique Medeiros, e o padrasto do menino, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho. A mãe obteve autorização para responder pelo crime em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica. Já o ex-vereador Jairinho continua preso.

“Um fato lamentável e que marcou a todos nós, no Brasil, a violência contra uma criança. O projeto foi feito com o espírito de punir, obviamente, mas também de desestimular ações dessa natureza”, afirmou o presidente Bolsonaro, ao sancionar a lei. A cerimônia contou com a participação de parte da bancada feminina de deputadas federais.